Agora que está oficialmente inaugurada a «Escola da Vida» é preciso contribuir com algumas lições.
Então cá vai, eu sou a Maria, a «quarentinha» divorciada (contrariada, mas divorciada).
Digamos que, pela experiência acumulada, posso considerar-me um pouco «professora» desta «Escola» (afinal sou a segunda mais velha...)
40 e poucos anos, um casamento, um divórcio, dois filhos, alguns bons amigos, um emprego que adoro e uma vida igual a tantas outras.
Depois há as pequenas/grandes alegrias e os dias que não deviam existir de tão maus.
Como estamos quase no Natal não vou fazer queixas nem destruir os sonhos da nossa «vintinha» mas olha que a vida não é nada fácil, amiga...
Dormir pouco e à pressa, levantar a correr para não perder tempo, acordar um filho, acordar o outro, tomar um duche rápido, pequeno almoço (o que é isso?) na melhor das hipóteses um iogurte no carro a caminho do emprego. Mas há mais, depois de deixar os miúdos na escola a surpresa do trânsito até chegar a Lisboa, quase sempre um tormento. E Deus queira que não chova para não complicar ainda mais. Os dias costumam ser tranquilos, o trabalho serve para desanuviar porque o regresso a casa implica nova correria: as compras (quando é preciso), o jantar, os banhos, os trabalhos de casa, os testes de vez em quando e, claro, a atenção que eles merecem. Muito mimo, muitos abraços e beijinhos e, como o tempo não estica, rapidamente são horas de ir fazer ó ó. O dia seguinte não é muito diferente disto. Que tal? Animador? Pode não parecer mas para quem já aprendeu que o mais importante da vida são as «nossas pessoas» e o que fazemos com elas...as coisas mudam de figura.
Quem tem crianças em casa sabe que cada dia é diferente, não temos muito tempo é certo, mas elas compensam tudo isso. «És tão linda mamã!» «Porque é que és tão linda?» «Gosto tanto de ti...» «És a melhor mãe do mundo!»... Chega?
Sei que é muito bom sermos donos do nosso tempo mas não é o mais importante.
Maria
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
I
Se eu acreditasse em forças divinas, era capaz de julgar que isto é castigo. Saí do emprego a gozar com as mães trabalhadoras, que têm que ir dar banho aos miúdos e fazer o jantar e toma: mais de uma hora no trânsito e uma dor de estômago valente.
Elas olham para mim uma vezes com aquele ar maternal; outras com nostalgia do tempo em que eram (mais) jovens e faziam o que lhes dava na gana. E cá entre nós, estou desconfiada que esta é a melhor altura da vida. Primeira casa, viver sozinha, não ter horários, não ter ninguém dependente, encher a pança de nestum porque não me apetece cozinhar, adormecer no sofá até tarde, deixar tudo desarrumado.
O que elas provavelmente não se lembram é do que se sente quando se está doente e não há mãe nem pai nem avós por perto para fazer uma canjinha e dizer "ó filha, deita-te que eu já te levo o remédio". Em vez disso tenho uma caixa de kompensan, um estendal de roupa para apanhar, a loiça do pequeno-almoço para lavar e ninguém que me faça um cházinho e umas torradas.
A vida de solteira e independente é muito boa na maior parte dos dias. Mas não hoje.
Elas pediram-me que inaugurasse este blog, porque sou a mais nova! E assim fiz. Sim, fui eu que apoiei a ideia de deixar as agruras da vida de lado. Mas hoje sinto-me assim, só e abandonada no meu T1, e não consigo encontrar, entre o estar agoniada e a lida da casa que não se faz sozinha, nenhum lado positivo.
Raparigas solteiras que eventualmente nos venham a ler: há dias, garanto-vos, em que elas conseguem desmoralizar-me. Mesmo. Acabar com os meus sonhos cor-de-rosa de que o casamento e os filhos e a vida em comum são coisas lindas e fáceis. Contrariar os meus planos de ter uma família perfeita, com uma equipa de futebol em miniatura a correr pela casa (enorme, claro, para lá caber toda a gente), com os cães a saltar no jardim. Desincentivar a natalidade porque depois nunca mais haverá uma noite de sono descansado, com os miúdos aos berros e um marido a roncar profundamente. Dizer constantemente come esse docinho, come, que ainda podes, para logo a seguir me lembrarem que as calorias quando nascem são para todas... e a força da gravidade também.
Mas eu não desisto. Porque elas, apesar destas pequenas lições de vida que me dão, são as maiores! E tenho a certeza que os 20's não podem ser assim tão diferentes dos 30's ou dos 40's. Eu sou a vintona e esta é a escola onde aprendo a ser gente grande.
A Escola da Vida sai assim da mesa do refeitório e abre oficialmente portas ao mundo!
I. (a vintona solteira)
Elas olham para mim uma vezes com aquele ar maternal; outras com nostalgia do tempo em que eram (mais) jovens e faziam o que lhes dava na gana. E cá entre nós, estou desconfiada que esta é a melhor altura da vida. Primeira casa, viver sozinha, não ter horários, não ter ninguém dependente, encher a pança de nestum porque não me apetece cozinhar, adormecer no sofá até tarde, deixar tudo desarrumado.
O que elas provavelmente não se lembram é do que se sente quando se está doente e não há mãe nem pai nem avós por perto para fazer uma canjinha e dizer "ó filha, deita-te que eu já te levo o remédio". Em vez disso tenho uma caixa de kompensan, um estendal de roupa para apanhar, a loiça do pequeno-almoço para lavar e ninguém que me faça um cházinho e umas torradas.
A vida de solteira e independente é muito boa na maior parte dos dias. Mas não hoje.
Elas pediram-me que inaugurasse este blog, porque sou a mais nova! E assim fiz. Sim, fui eu que apoiei a ideia de deixar as agruras da vida de lado. Mas hoje sinto-me assim, só e abandonada no meu T1, e não consigo encontrar, entre o estar agoniada e a lida da casa que não se faz sozinha, nenhum lado positivo.
Raparigas solteiras que eventualmente nos venham a ler: há dias, garanto-vos, em que elas conseguem desmoralizar-me. Mesmo. Acabar com os meus sonhos cor-de-rosa de que o casamento e os filhos e a vida em comum são coisas lindas e fáceis. Contrariar os meus planos de ter uma família perfeita, com uma equipa de futebol em miniatura a correr pela casa (enorme, claro, para lá caber toda a gente), com os cães a saltar no jardim. Desincentivar a natalidade porque depois nunca mais haverá uma noite de sono descansado, com os miúdos aos berros e um marido a roncar profundamente. Dizer constantemente come esse docinho, come, que ainda podes, para logo a seguir me lembrarem que as calorias quando nascem são para todas... e a força da gravidade também.
Mas eu não desisto. Porque elas, apesar destas pequenas lições de vida que me dão, são as maiores! E tenho a certeza que os 20's não podem ser assim tão diferentes dos 30's ou dos 40's. Eu sou a vintona e esta é a escola onde aprendo a ser gente grande.
A Escola da Vida sai assim da mesa do refeitório e abre oficialmente portas ao mundo!
I. (a vintona solteira)
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